domingo, 20 de junho de 2010

Oficina: Livro Didático


Na oficina do Livro Didático foi abordada a preocupação com os livros didáticos em nível oficial, no Brasil, se inicia com a Legislação do Livro
Didático, criada em 1938 pelo Decreto-Lei 1006 (Franco,1992). Nesse período já o livro era considerado uma ferramenta da educação política e ideológica, sendo caracterizado o Estado como censor no uso desse material didático. Os professores faziam as escolhas dos livros a partir de uma lista pré-determinada na
base dessa regulamentação legal. Art. 208, Inciso VII da Constituição Federal do Brasil, em que fica definido que o Livro Didático e o Dicionário da Língua Portuguesa são um direito constitucional do educando brasileiro.


A professora Léia falou muito sobre o que os livros didáticos devem atender: quais são os referenciais teóricos usados na construção do livro, eles respeitam a diversidade e a pluralidade de idéias, são autores nacionais ou estrangeiros, em que época e contexto o livro foi escrito? O livro respeita as diversas fontes históricas e faz bom uso delas, incentiva os alunos a buscarem e a valorizarem suas próprias histórias, bem como de suas comunidades, por meio das mais variadas fontes sejam elas: orais, iconográficas, audiovisuais, oficiais, literárias ou escritas. O livro utiliza os métodos adequados para cada tipo de fonte, valoriza a interdisciplinaridade recomendada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s). Traz informações corretas sobre a História do país, preocupa-se com a formação para o exercício pleno da cidadania. Deve-se verificar a relevância dos conteúdos na formação escolar, levando sempre em consideração os princípios para uma prática de ensino democrática e libertária, com vistas à formação pessoal e futuramente profissional

Nos deslocamos até o colégio Aplicação e fizemos a oficina na “ sala amarela”, assistimos um vídeo.
Vimos lá vários acervos, e aprendemos como limpar um acervo, para a conservação do mesmo.
Foi feito uma espécie de caixa com uma cartolina branca, colocamos luvas e mascara e com o auxilio de um pincel limpamos a folha de dentro para fora.
Foi possível reparar a quantidade de sujeira que saiu do papel e ficou na cartolina, e isso mostra o quanto é importante o trabalho de restauração de acervos e de como devemos mostrar isso e manter essa consciência nas criança, para que desde cedo elas aprendam dar valor e preservar documentos, livros, coisas que fazem parte da história do mundo em que elas vivem e é um incentivo para as crianças se interessarem pela história de seus antepassados, e assim entenderam melhor porque as coisas do presente delas são da forma que são. É um incentivo há reflexão.
Foi possível observar na nossa ficha de identificação para a Análise do acervo que o estado de conversação do papel era regular, que era ficha de reconhecimento escolar, o aluno tem um bom nível cultural, estuda no quarto, tem dificuldade em matemática e memorização, tem os pais casados, irmãos (6), 6 pessoas dependem da renda familiar que é 190.000,00 cruzeiros, ele vai apé para a escola e mora na carvoeira




Os usos de documentos de arquivos históricos escolares, visam sensibilizar a comunidade escolar, para a importância de sua preservação; e evidenciar o potencial dos documentos do arquivo histórico escolar como fontes para um eixo temático importante de trabalho na escola, como a história e memória da instituição e da comunidade escolar, contribuindo para um ensino mais significativo e potencialmente mais interessante para os alunos, e para o diálogo mais efetivo com a comunidade. Pode-se ressaltar um fator extremamente relevante como contribuição para o ensino de História, por parte do uso de documentos do arquivo histórico escolar, especificamente na proposição do tema História e Memória da instituição educativa e da comunidade escolar: em 10 escolas caracterizadas por heterogeneidade de seu corpo discente, no sentido de origens de bairros diversos, em que se torna difícil ou inviável o desenvolvimento da história local com o tema Bairro, por exemplo, a escola pode ser o fator comum entre o alunado, que permita a problematização, o estudo e a compreensão da história local, regional, nacional e geral. Os documentos e temas relacionados à instituição escolar permitem o trabalho do professor, no ensino de História, desde os anos iniciais do ensino fundamental até o ensino médio, partindo-se do pressuposto de que o que parece natural e familiar ao aluno fará mais sentido e será mais interessante para ele, quando perceber que a realidade que o cerca não é tão natural como ele imaginava. Finalmente, a instituição escolar, por estar presente em diferentes tempos, espaços, culturas e sociedades, poderá ser um eixo temático muito profícuo para o ensino de História, considerandose que o trabalho com documentos não pressupõe uma dissociação dos conteúdos formais, ou seja, do currículo estabelecido.

Na reflexão sobre o que essas pessoas disseram, é possível também
trabalhar com os alunos algumas noções fundamentais para a construção do
conceito de História:
􀂃 Ao observar que certos modos de comunicar ou pensar lhe são familiares e
outros não, o aluno está observando continuidades e mudanças ao longo
do tempo.
􀂃 Ainda se considerando o caráter subjetivo das fontes primárias, pode-se
evidenciar a questão da representação: o passado só chega ao presente na
forma de representações. Assim, um documento histórico, qualquer que
seja ele, não pode ser visto como emissor de uma verdade absoluta. Por
outro lado, pode-se questionar as razões da conservação (ou da
recuperação) daquele determinado documento.



Preservar a memória documental é caminho obrigatório para construir identidade cultural e garantir análise da história. Instituições destinadas a preservar
arquivos públicos ou outros acervos documentais enfrentam variados problemas, em geral, provenientes do grande acumulo de documentos e da sua fragilidade.
Além destes, nos últimos anos, têm recebido especial atenção o problema de tornar mais acessível os documentos por parte de pesquisadores e pelo público
em geral.



Especificamente quanto à análise de documento histórico em sala de aula, o esquema
apresentado por Circe Bittencourt (2004:334) é bastante útil para este aspecto da atividade:
Descrever o documento
↓
PARA ← Mobilizar os saberes e conhecimentos prévios
↙ ↓ ↘
Explicar Situar Identificar a natureza do documento e explorar esta
. o documento o documento característica(contexto/autor)
↓
Para chegar a identificar limites e o interesse do documento, isto é, criticá-lo.

O que costumamos chamar de documento histórico são reproduções de
fontes primárias utilizadas pelo pesquisador. Essas últimas são evidências do
passado produzidas/utilizadas no momento em que o fato histórico que se está
pesquisando ocorria. Hoje, há consenso entre os historiadores de que essas fontes
podem ser escritas ou não escritas, das mais diversas naturezas: cartas,
documentos registrados em cartórios, diários, objetos, edificações, testemunhos
orais etc.

Certamente, o documento pode “propiciar reflexões sobre a relação
presente-passado”. Cabe perguntar qual a maneira adequada de explorá-lo para
que esse objetivo seja cumprido.

Durante algum tempo, esses procedimentos foram vistos como os
procedimentos do próprio historiador. Para muitos professores, a aprendizagem do
método do historiador seria um caminho para a aprendizagem de História. Em
contraposição ao ensino tradicional, em que o conhecimento era simplesmente
“transmitido” ao aluno, sob forma de datas e fatos a serem decorados, propunha-se
que os alunos deveriam construir seus conhecimentos sobre história a partir de
investigação. Reproduziriam os passos do historiador, chegando aos conteúdos com
seu próprio trabalho. Nesse sentido, aprender a decifrar um documento significaria
aprender com o documento.
Vários estudiosos questionaram essa idéia. Um deles, Henri Moniot, alerta
para o fato de que o trabalho feito pelo aluno com o documento de modo algum
corresponde a uma reprodução daquilo que o historiador faz. O documento, quando
o aluno o usa, não tem o estatuto de fonte. É fonte para o historiador, porque este
busca um documento na medida em que ele pode auxiliá-lo a resolver determinada
questão formulada anteriormente, no contexto de seu tema de estudo. Este é então
relacionado a uma série de outros conhecimentos e documentos e, além disso, o
estudioso conhece e trabalha com seu suporte original.
Já o aluno recebe, em geral, um fragmento de documento, escolhido por
outra pessoa, sem que haja uma questão formulada previamente por ele, sem uma
referência de conjunto, e muito longe de seu suporte original (até porque seria
impossível oferecê-lo dessa forma).
Para o aluno, então, o documento não é fonte, como para o historiador.
Mas é material do historiador, e como tal objeto de aprendizagem – é aí que reside
sua importância.
O trabalho com esse material configura-se em um exercício de aproximação
do aluno com uma realidade distante. Por meio dos documentos, ele entra em
contato com determinadas linguagens e formas de pensar de outras épocas. Dessa
maneira, o documento ajuda a dar maior concretude para um outro tempo. Ao
analisar uma carta, um diário, um relato, surgem pessoas de carne e osso em meio
à grande quantidade de informações e conceitos com os quais eles convivem.

Oficina: Arquivos Históricos


A oficina teve o objetivo discutir possibilidades de utilização dos arquivos históricos escolares para o Ensino de História. Foi abordada a concepção, uso e tratamento de documentos em sala de aula, história local, memória, além da própria finalidade do ensino de História, e da instituição escolar frente à organização e preservação de seu arquivo histórico. Porém, entende-se que os arquivos escolares podem contribuir significativamente para o Ensino de História, por sua acessibilidade, diversidade e tipos de informações, mais próximas, compreensíveis e potencialmente mais significativas e interessantes para os alunos; e por sua utilização implicar na possibilidade de articulação entre ensino, pesquisa e extensão na escola, podendo envolver a comunidade escolar e a comunidade externa à instituição.



Para a discussão a respeito das contribuições possíveis de utilização do arquivo histórico escolar no ensino de História, parte-se de alguns pressupostos, que são elencados a seguir: 1) de que há clareza, por parte do professor, sobre não haver uma verdade absoluta a respeito do fato histórico, mas versões possíveis, não necessariamente excludentes entre si, ao ponto dele levar esta postura e compreensão para sua prática como docente, permeando-a e ao seu discurso e abordagem de História, em sala de aula4; 2) de que os documentos são registros parciais, limitados, de olhares possíveis a respeito de fatos e práticas; 3) de que as fontes possíveis para a compreensão da História não limitam-se aos registros escritos e oficiais, mas abrangem também objetos, registros orais, produções escritas não formais, registros iconográficos, enfim, toda e qualquer forma de informação e registro a respeito do fato ou tema a ser problematizado e averiguado historicamente; O arquivo histórico escolar como acervo documental: possibilidades A escola produz diversos tipos de documentos e registros, exigidos pela administração e pelo cotidiano burocráticos, que perpassam inclusive seu âmbito pedagógico. Há toda uma legislação que orienta essa produção, envolvendo o funcionamento da instituição, e a organização e controle de suas atividades. Além disso, pode-se encontrar no arquivo escolar outros tipos de documentos que excedem a determinação legal, como fotografias, jornais produzidos pela escola, cadernos de alunos, recortes de jornais com matérias referentes à instituição, bilhetes, entre outros.

O que é Cultura?


Cultura é um conjunto de informações, conhecimentos históricos e práticos que se aprende e se transmite aos conterrâneos a os vindouros. Ela é resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo seus problemas ao longo da história. Cultura é criação. O ser humano não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam para satisfazer seus desejos e necessidades, cultura é fator de humanização.
O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo social cultural. São as formas de organização de um povo, seus costumes, tradições transmitidas de geração para geração que a partir de uma vivência comum se aprende como identidade. A cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados, necessários para a sobrevivência.

As quatro etapas de Metodologia para uma Educação Patrimonial são:
1. Observação (Percepção, Contemplação) através de incentivo. Objetivo: Identificar o objeto, a função e o significado deste, facilitando o desenvolvimento da percepção visual e simbólica. “Nós somos construídos pelos objetos!”
2. Registro (Desenhos, descrição, gráficos...). Objetivo: Fixar o conhecimento percebido, aprofundar o que foi visto/aprendido.
3. Exploração (Pesquisas, outras fontes) Objetivo: Desenvolver a capacidade de análise e julgamento crítico.
4. Apropriação (Recriação, releitura,dramatização) Momento de apropriação. Objetivo: Envolver afetivamente, internalizar sensações, desenvolver a capacidade de auto expressão, apropriação, participação criativa, valorização do bem cultural.




Concluímos a oficina com um planejamento de como trabalharíamos a Educação Patrimonial em sala de aula. Frase que a Raquel leu para nós na oficina, e nos chamou muito a atenção. Hannah Arendt nos diz: “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele, e com tal gesto salvá-lo da ruína que seria inevitável se não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens(...).”

Oficina: Educação Patrimonial e o ensino de História


Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. Isto significa tomar os objetos e expressões do Patrimônio Cultural como ponto de partida para a atividade pedagógica, observando-os, questionando-os e explorando todos os seus aspectos, que podem ser traduzidos em conceitos e conhecimentos.